Ciro Gomes se declara “um defunto vivo”. Ele desconfia que será sepultado na terça feira pelo PSB, mas , disciplinado, aceitará a posição do partido e se afastará da política por tempo indeterminado. Com críticas ácidas à forma de fazer política no Brasil, diz que “Eu sou crítico da hegemonia moral e intelectual que preside essa aliança (PT e PMDB). Se você compreende o Brasil, você sabe que precisa ter aliança. A pretexto de que isso é correto e necessário, o que está se fazendo é tráfico de minuto de televisão, é acobertamento de malfeito, manipulação de CPI. E isso não tem nada a ver com governabilidade, tem a ver com frouxidão moral, concessão de espaço público para fisiologia, corrupção e clientelismo. Essa opinião não muda, é uma opinião de vida minha.” Nada mais contundente porque, de resto, se trata de uma verdade. Partidos procuram partidos para alianças, como diz Ciro, para traficar os minutos que têm direito na propaganda eleitoral. Daí a força do PMDB junto ao PT, que tem em Dilma Rousseff “uma pessoa boa, mas sem experiência, sem a experiência de José Serra que está muito mais preparado do que ela para enfrentar os problemas do País”. Lula assim, na medida em que tira com o PSB Ciro da corrida sucessória, recebe uma crítica que se abate sobre a candidata que criou como poucas até agora já feitas. O “defunto vivo” que é Ciro espera a terça-feira e ainda tem esperança que o PSB reconheça que o partido que não disputa, não corre o risco de ganhar e definha. Diante das palavras claras e independentes de Ciro Gomes, Luiz Inácio Lula da Silva se calou e Dilma Rousseff se apequenou. Nada disse. A oposição também silenciou porque o que o cearense está falando, mesmo que não apóie Serra (e não apoiará) é bom para o agrupamento porque demonstra a superioridade do paulista sobre a candidata que Lula criou, mas não lapidou. Não houve tempo para que Dilma aprendesse. E, certamente, se chegar à Presidência, ela terá que se segurar em Lula como um náufraga, nos momentos de crise, ou será arrastada pela correnteza dos partidos a ela aliançados, todos em busca de um naco desta República tropical. Assim é. Até terça-feira o espaço político nacional é de Ciro. Todo dele.
(Samuel Celestino/Bahia Noticias)
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