Em determinado momento, ao defender Pinheiro (foto), Wagner admitiu que PT pode escolher o candidato
O governador Jaques Wagner (PT) manifestou ontem pela primeira vez publicamente o desejo de indicar o deputado federal Walter Pinheiro candidato ao Senado na chapa com que pretende disputar a reeleição em outubro. Wagner assumiu a posição durante um encontro com a chamada bancada federal petista da tendência Construindo um Novo Brasil, ocorrido à noite, na Governadoria.
Na reunião, realizada a pedido dos parlamentares, o governador fez uma exposição detalhada sobre as perspectivas eleitorais de Pinheiro e elencou os motivos pelos quais não gostaria de incorporar o ex-governador Waldir Pires à sua chapa, repetindo tudo o que se fala nos bastidores do PT, mas nunca havia externado diretamente a companheiros de partido.
Em resumo, o governador ponderou que, pela idade – 84 anos recentemente completados – Waldir não projeta grandes perspectivas para o futuro próximo no PT, sendo nula sua influência para os anos vindouros de 2012 (eleição municipal) e 2014 (sucessão estadual), argumento que foi rebatido amistosamente pelos defensores da candidatura do ex-governador.
Eles argumentaram que a eleição em jogo é a de 2010, alegando que as próximas disputas eleitorais terão uma economia própria. Ponderaram ainda que Wagner não poderia fazer uma composição com uma chapa que foi derrotada para a Prefeitura de Salvador em 2008, uma dura referência a Pinheiro, que foi candidato a prefeito pelo PT, e à deputada federal Lídice da Mata (PSB).
Lídice disputou a vice na época e hoje é cotada para a outra vaga ao Senado na chapa governista. Além disso, lembraram a Wagner que Pinheiro não é conhecido no interior e que, mais do que a gestão, o assunto predominante na campanha será a política, questão com relação à qual acham que Waldir tem melhores chances de mobilizar o eleitorado do que o candidato do governador.
A defesa de Waldir foi assumida, nesta ordem, pelo presidente estadual do PT, Jonas Paulo, pelo deputado federal Geraldo Simões e pelo ex-deputado Emiliano José, dos três o mais próximo do ex-governador. Diante da determinação do grupo em aclamar Waldir, em determinado momento, muito polidamente, Wagner teria deixado escapar que, na eventualidade de um impasse, caberia ao PT fazer a escolha.
A posição foi posteriormente interpretada como uma insinuação de que o governador poderia negociar apoio a Pinheiro com o deputado federal Nelson Pelegrino, o que asseguraria a indicação de seu candidato no PT. Em contrapartida, Pelegrino, que admitiu concorrer ao Senado contra Pinheiro, teria o apoio do colega e de Wagner para disputar a Prefeitura de Salvador em 2012.
Pelegrino, apesar de curiosamente ter emudecido nos últimos dias, nega a quem com ele converse a existência de qualquer negociação visando colocar Pinheiro como candidato ao Senado na chapa de Wagner, posição em relação à qual os defensores do nome de Waldir não confiam 100 por cento, mas, por enquanto, sabiamente, inclusive, não podem emitir qualquer opinião segura a respeito. (Politica Livre)
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